Pessoa segurando o peito com expressão de angústia
Saúde Mental⏱️ 9 min

Síndrome do Pânico: Quando o Medo Vem Sem Aviso

Um ataque de pânico pode parecer um infarto ou a morte iminente. Saiba por que seu corpo dispara esse alarme falso e como a Terapia Cognitivo-Comportamental ajuda a desligá-lo.

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Eliane Matos

Psicóloga CRP 06/157566

Imagine que você está no supermercado, dirigindo ou apenas assistindo TV. De repente, sem aviso, seu coração dispara como se fosse sair pela boca. O ar falta. Suas mãos formigam. Uma sensação terrível de que você vai desmaiar, enlouquecer ou morrer toma conta de você em segundos.

Se você já passou por isso, sabe que não é "apenas ansiedade". É uma experiência aterrorizante de morte iminente. A maioria das pessoas corre para o pronto-socorro, certa de que está infartando. Mas, chegando lá, os exames estão normais. O médico diz: "É emocional".

Essa frase, embora medicamente correta, pode soar como um insulto para quem sentiu na pele a realidade brutal de um ataque de pânico. A dor era real. O medo era real. O que aconteceu foi um "curto-circuito" no sistema de alerta do seu corpo.

O "Alarme de Incêndio" com Defeito

Para entender o pânico, precisamos entender a ansiedade. Ela é nosso sistema de proteção contra perigos. Se um tigre aparecer, seu cérebro inunda o corpo de adrenalina: o coração bate rápido para bombear sangue, a respiração acelera para oxigenar os músculos. Tudo para você correr ou lutar.

No Transtorno de Pânico, esse alarme dispara sem o tigre. É um falso positivo. O corpo reage a um perigo catastrófico que não existe.

O problema maior começa depois do primeiro ataque. A pessoa fica tão traumatizada com a sensação horrível que passa a viver com medo de ter medo. Ela começa a monitorar o próprio corpo obsessivamente. "Meu coração bateu diferente agora? Será que vai começar de novo?"

Esse monitoramento constante gera ansiedade, que acelera o coração, que a pessoa interpreta como início de um ataque... e o ciclo se fecha. A pessoa passa a evitar lugares onde teve ataques ou onde seria difícil escapar (metrô, shoppings, túneis), desenvolvendo o que chamamos de Agorafobia.

Pânico ou Infarto?

Essa é a dúvida número um. Embora apenas um médico possa descartar problemas cardíacos (e é importante fazer um check-up para ter certeza), existem diferenças clássicas:

  • Duração: O ataque de pânico atinge o pico em 10 a 20 minutos e depois diminui. O infarto geralmente tem dor contínua e progressiva.
  • Localização: A dor do pânico é frequentemente difusa no peito ou "pontadas". A do infarto costuma ser opressiva (como um peso/aperto) e irradia para o braço esquerdo ou mandíbula.
  • Gatilho: O pânico muitas vezes ocorre em repouso ou situações de estresse emocional. O infarto pode (mas nem sempre) ser desencadeado por esforço físico.

O Tratamento: Enfrentando as Sensações

A Terapia Cognitivo-Comportamental é extremamente eficaz para o pânico porque ensina o paciente a perder o medo das sensações físicas.

Usamos uma técnica chamada Exposição Interoceptiva. De forma controlada e segura no consultório, provocamos propositalmente sensações leves parecidas com o pânico (como girar na cadeira para sentir tontura ou respirar rápido para sentir falta de ar).

O objetivo é mostrar ao seu cérebro, na prática, que:

  1. Tontura não é desmaio.
  2. Coração acelerado não é infarto.
  3. Falta de ar (hiperventilação) não é sufocamento.
  4. Essas sensações são desconfortáveis, mas não são perigosas.

Quando você para de ter medo das sensações, o "combustível" do pânico acaba. Os ataques diminuem de frequência e intensidade até, muitas vezes, desaparecerem.

Retomando a Liberdade

O Transtorno de Pânico pode fazer o mundo de uma pessoa encolher até o tamanho do seu quarto. Mas a recuperação é possível e, frequentemente, rápida com o tratamento correto.

Imagine voltar a pegar o elevador, ir ao shopping ou dirigir sem aquele medo constante à espreita. Isso é possível. A liberdade está do outro lado do enfrentamento guiado.

Se você tem evitado viver por medo das crises, saiba que existe um caminho de volta. Em nossos atendimentos, ajudamos você a desligar esse alarme falso e retomar a confiança no seu próprio corpo.


Perguntas Frequentes (FAQs)

1. O que fazer se alguém tiver um ataque perto de mim?

Mantenha a calma. Não diga "acalme-se" (nunca funciona). Diga: "Isso é uma crise de ansiedade, é horrível mas vai passar. Eu estou aqui com você. Você não vai morrer". Incentive a pessoa a respirar devagar, soltando o ar longamente, como se estivesse soprando uma vela suavemente. Fique com ela até o pico passar.

2. Pânico é genético?

Existe um componente genético, sim. Se pais têm transtornos de ansiedade, filhos têm maior predisposição. Mas a genética não é destino. Fatores ambientais (estresse crônico, traumas, estilo de vida) são gatilhos fundamentais. A terapia ajuda a "desligar" a expressão desses genes através da mudança de comportamento e ambiente.

3. Evitar os lugares onde tive crise ajuda?

A curto prazo, alivia. A longo prazo, piora. O evitamento confirma para o seu cérebro que aquele lugar é perigoso. "Ufa, não fui ao shopping e não tive crise, logo o shopping é o perigo". Com o tempo, você evita cada vez mais lugares (Agorafobia). O tratamento envolve voltar a esses lugares gradualmente para "desmentir" o cérebro.

4. Café e álcool pioram o pânico?

Sim. A cafeína acelera o coração, o que pode ser interpretado erroneamente pelo cérebro como início de uma crise. O álcool, embora relaxe no momento, causa um efeito "rebote" de ansiedade no dia seguinte quando o corpo o metaboliza. Muitos pacientes têm crises na "ressaca".

5. Tenho medo de enlouquecer durante a crise. Isso pode acontecer?

Não. A sensação de "perder a cabeça" (desrealização/despersonalização) é um sintoma comum da ansiedade extrema, causado pela alteração do fluxo sanguíneo no cérebro. É assustador, mas é temporário e não evolui para psicose ou loucura. Ninguém "vira esquizofrênico" por causa de um ataque de pânico.


Sobre a autora: Eliane Matos é psicóloga clínica (CRP 06/157566) especialista em transtornos de ansiedade. Ela ajuda pacientes a entenderem que o pânico é um "blefe" do cérebro e a retomarem a coragem de viver plenamente.

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